O consumidor paulistano segue mais confiante do que há um ano, mas já começa a revisar as perspectivas. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 3,8% em abril, para 121,1 pontos, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A retração foi puxada pelo Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que recuou 5% em relação a março. Na comparação anual, o ICC ainda registra alta, de 9,1%.
Apesar do patamar elevado em comparação com o ano passado, os juros altos, a inflação persistente e a maior incerteza externa — como as tensões no Oriente Médio — têm levado os paulistanos a adotarem uma postura mais cautelosa: o consumo ainda se mantém no presente, mas as dúvidas quanto ao futuro começam a influenciar as decisões.
O objetivo principal do ICC é identificar o "humor" dos consumidores mediante sua percepção relativa às suas condições financeiras, às suas perspectivas futuras e também à percepção que o consumidor tem das condições econômicas do país. O Índice de Confiança do Consumidor varia de 0 a 200, calculado com base em perguntas dicotômicas (respostas positivas ou negativas) nos moldes do indicador de confiança de Michigan, criado em 1950. No início da década de 1990 a equipe econômica da FecomercioSP adaptou a metodologia original às necessidades brasileiras.
Os dados são coletados junto a cerca de 2.200 consumidores no município de São Paulo.
Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no país, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo Banco Central.